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Clodovil Hernandes: a trajetória de polêmica, política e irreverência


Clodovil Hernandes

17/06/1937  |  17/03/2009

As causas da morte
Clodovil passou mal em casa no domingo (15). O deputado sofreu uma queda em decorrência de um AVC (acidente vascular cerebral). Chegou ao hospital Santa Lúcia, em Brasília (DF), às 8h17 de segunda (16), conduzido pelo serviço médico da Câmara dos Deputados, onde permaneceu em estado grave internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

O enterro acontece nesta quarta (18) no cemitério do Morumbi, em São Paulo. Nesta terça, o corpo de Clodovil será velado no Salão Negro da Câmara dos Deputados, em Brasília, por cerca de duas horas. Em São Paulo, o corpo também será velado na Assembleia Legislativa. De acordo com informações da Agência Câmara, quem assume o lugar de Clodovil é Jairo Paes Lira, do PTC de São Paulo. A morte não suspendeu os trabalhos na Câmara, o que é lamentável não demonstrando nem um pingo de consentimento para com a pessoa que foi Clodovil.

Se o Collor tinha aquilo roxo, o meu é cor de rosa-choque

Polêmico
A trajetória do deputado Clodovil Hernandes (PR-SP) começou longe de Brasília. Nasceu em 17 de junho de 1937 no município de Elisiário (402 km de São Paulo), na região de São José do Rio Preto (SP). Adotado por um casal de espanhóis, foi educado em um colégio interno por padres católicos.

Reprodução
O estilista Clodovil, em uma capa de revista Cruzeiro de 1971
Clodovil Hernandes, na época estilista, em uma capa de revista “Cruzeiro” de 1971

Clodovil tornou-se conhecido, na década de 1960, como estilista de alta costura, rivalizando com Dener Pamplona de Abreu (1936-1978) a atenção para a primeira geração de importantes estilistas brasileiros.

Na década de 1980, Clodovil tornou-se uma das principais atrações do “TV Mulher”, da Rede Globo. Comandado por Marília Gabriela, o programa também tinha a participação do cartunista Henfil e da sexóloga Marta Suplicy (bem antes de ela seguir carreira política). Muitos anos depois, Clodovil criticaria o projeto de união civil homossexual, apresentado por Marta como deputada federal.

No início da década de 1990, foi contratado pela antiga Rede Manchete para apresentar o programa “Clodovil Abre o Jogo”. Na televisão, ficou famoso por alguns bordões, entre eles o de pedir para seus entrevistados que “olhassem para a câmera da verdade”, para responder a alguma pergunta mais difícil.

As donas-de-casa me adoram porque sabem que eu vim de baixo. Vivi a história da Cinderela. E pobre gosta mesmo é de luxo

A carreira como deputado
Sem espaço na mídia, Clodovil candidatou-se ao cargo deputado federal por São Paulo nas eleições de 2006. Com slogans que faziam referências explícitas a sua homossexualidade (“Vocês acham que eu sou passivo? Pisa no meu calo para você ver…”, ou ainda dizendo que seu número era o 3611, porque 24 já era, o negócio era “um atrás do outro”), o ex-apresentador de televisão, então filiado ao PTC (Partido Trabalhista Cristão), recebeu 493.951 votos e foi o terceiro deputado mais votado em todo o Estado, atrás somente de Paulo Maluf e Celso Russomano, ambos do PP (Partido Progressista).

Após eleger-se deputado federal, Clodovil trocou o nanico PTC pelo PR (antigo PL), alegando ter sido abandonado pelo partido durante o pleito, não ter recebido material de campanha, nem assessoria jurídica. Acusado de infidelidade partidária, foi absolvido pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) no último dia 12 de março, por unanimidade. Para os ministros do tribunal, Clodovil sofreu perseguição interna no PTC, condição que permite ao eleito transferir-se para outro partido.

Em maio de 2007, o deputado bateu boca no plenário com a deputada Cida Diogo (PT-RJ), durante sessão da Câmara. A discussão teve início quando Clodovil afirmou que “as mulheres ficaram muito ordinárias, vulgares, cheias de silicone” e que as mulheres na atualidade “trabalham deitadas e descansam em pé”.

Após ser questionado pela parlamentar sobre a declaração, Clodovil afirmou: “Digamos que uma moça bonita se ofendesse porque ela pode se prostituir. Não é o seu caso. A senhora é uma mulher feia”.

Ao longo de seu mandato, Clodovil foi titular nas comissões de Educação e Cultura e Relações Exteriores e de Defesa Nacional, e suplente na Comissão de Seguridade Social e Família. Seu último foi como titular da Comissão de Direitos Humanos e Minorias.

17.jun.2008/Folha Imagem
Hospital Santa Lúcia, em Brasília, anuncia morte cerebral de Clodovil Hernandes
Hospital Santa Lúcia, em Brasília, anuncia morte cerebral de Clodovil Hernandes

Entre os projetos que apresentou, há uma PEC que reduz de 513 para 250 o número de deputados federais e cria regras para que nenhuma unidade da federação fique com menos de quatro ou mais do que 30 representantes -em tramitação na Câmara, mas sem chance de avanço.

Clodovil também apresentou alguns projetos de lei: quis restringir a exibição de imagens e notícias violentas na televisão durante o horário de almoço, tornar obrigatório o exame de próstata para trabalhadores do sexo masculino com mais de 40 anos e instituir no terceiro domingo de maio o Dia da Mãe Adotiva.

Também é de autoria dele um projeto que proíbe a fabricação e comercialização de produtos infantis que reproduzam a forma de cigarros ou similares.

As fontes para essa postagem, foi uma pesquisa em matérias publicas na Folha Online.

Leia mais clicando aqui, nessa outra opção, ou ainda aqui (Folha Online).

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  1. Alderez Rufino
    17.mar.2009 às 19:35

    Clodovil, vc era tdo de bom e melhor do que sua personalidade só a sua próxima encarnação… vá com Deus… saudades ficarão, mas as recordações também…

  2. 17.mar.2009 às 23:38

    ACHO QUE ELE TENTOU FASER DO SEU MELHOR PORQUE É DIFICIL MUDAR ESSE PAIS POIS JÁ ROUBARÂO BASTANTE DO POVO ELE TAVA LÁ TENTONDO DAR O SEU MELLHOR QUE VC DESCANSE EM PAS clodovil

  3. Clério Airon de Lima
    18.mar.2009 às 11:57

    Li hoje (18/03)em um jornal aqui do Recife que entre os projetos do deputado Clodovil Hernandes estava o de reduzir de 513 para 250 o número de deputados na Câmara Federal – racional e plausível demais a proposta para ser aprovada – pena que sua inteligêcia tenha sido turvada por sua idiossincrasia, iviabilizando a abordagem de um assunto como esse: cogitável,sério, polêmico e pouco provável.

  4. Rosemart K. de Almeida
    18.mar.2009 às 13:48

    Sempre admirei a maneira escrachada de Clodovil.Ele divertia os telespectadores com sua tiradas,as vezes de mau gosto,mas sempre com autenticidade.Perdemos o último estilista de verdade que o Brasil já teve.Adeus.

  5. sandra
    18.mar.2009 às 16:35

    vou ficar com saudades dessa pessoa tão inteligente que nosso país teve.

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